O Programa Falou e Disse recebe Bernardo Lemes de Andrade.
A pintura brasileira com tantos gênios que manifestam desde o século passado sua criatividade, originalidade, exuberância nos premia mais uma vez com uma rica exposição no Centro Cultural da Justiça Federal na histórica Cinelândia do Rio de Janeiro. Desde a Semana de Arte Moderna em 1922 os artistas brasileiros proclamaram algo ousado: o Brasil não seria eco. Seria voz! Nas formas e cores de Tarsila do Amaral, nos corpos vibrantes dos parangolés de Hélio Oiticica, em Cândido Portinari nossa maior expressão internacional; em Di Cavalcanti movimento expressionista, cubista; em Beatriz Milhazes famosa pelas suas pinturas vibrantes e abstratas e, nas experiências sensoriais de Lígia Clark. Nesse conjunto, nasce uma certeza de que arte é território. E por isso ele cria, inventa e transforma e, assim escreve sua própria história. No Brasil os artistas ousaram reinventar a linguagem, devorar influências, misturar culturas, criar algo novo. A soberania só começa quando o povo decide criar e não copiar. Daí porque a partir dos anos 50-60, o Brasil tornou-se um dos laboratórios mais inovadores da arte contemporânea. Rompeu com modelos europeus, criou uma linguagem própria baseada na diversidade cultural do país e produziu artistas que influenciaram profundamente a arte mundial e transformaram o Brasil em um dos polos mais criativos do planeta de todo esse período.
Bernardii com toda a sua força de imaginação e transformação faz dessa mudança ou inconstância o seu método. Vejamos as palavras da curadora da exposição Débora Raquel Martins: “Celebrar cinquenta anos de pintura de Bernardii é reconhecer uma obra construída a partir da inquietação. Sua trajetória não obedece a linhas fixas, mas a estados emocionais únicos, onde gesto, cor e matéria se organizam como expressão direta do instante. Assumindo a inconstância como método, o artista repete o gesto não para criar fórmulas, mas para preservar o amor pela pintura. Entre cores luminosas e mergulhos em tons escuros, sua obra afirma a fantasia como território mais livre e mais verdadeiro que a realidade. Esta exposição, não encerra um percurso- ela celebra a permanência da liberdade expressiva, a fidelidade ao sentimento e a força de uma pintura que há cinquenta anos, permanece viva e indomável.
Seguindo a linha de inovação do mestre, essa entrevista terá como palco a própria exposição, onde o público poderá ter um contato direto com o artista, ouvindo suas explicações e respostas às suas perguntas, num chat ao vivo e à cores e bota cor nisso. Nosso Bernardii ou Bernardo Lemes de Andrade já expôs suas obras de arte, além do Brasil, em diferentes países da Europa. Realizou exposições individuais na França onde manteve seu atelier em Nantes por muitos anos e também em Sintra (Portugal). Participou da Biennal Caribean Festival e também uma exposição individual no Canadá. Sua obra integra acervos permanentes em galerias, coleções públicas e privadas incluindo embaixadas e governos. Sua formação foi através da Escola de Belas Artes no Rio além de licenciatura plena em Artes Visuais pelo Centro Metodista Bennet além de graduação em Artes Sacra e História da Arte pela Faculdade São Bento.

Quem frequenta a Região Oceânica de Niterói, por certo ao percorrer a via que leva ao Túnel Charitas antes da última Estação do Ônibus, quase chegando ao Clube da AABB, tem a atenção desviada para uma grande vitrine de uma casa verde, uma espécie de galeria, onde o seu interior é ocupado por grandes telas de pintura. É lá o atelier do nosso pintor e onde durante anos também funcionou uma escola de arte com artistas vindo de vários bairros e cidades da vizinhança. Foi nesse espaço que em 2008 levei minha mãe que havia sofrido um AVC para retomar a vontade de viver, de fazer, de criar através da arte. Isto é só um spoiler mas, posso voltar ao tema num próximo programa do “Falou e Disse”, por hora deixo apenas uma foto que marcou o acontecimento.
