O Programa Falou e Disse recebe Raymundo de Oliveira.
Quando pensamos na problemática do Estado do Rio de Janeiro que vem sofrendo desde o término do Governo de Brizola toda a sorte de malefícios e descontrole, seja por má gestão, somada à corrupção, a incompetência e a ausência de quadros qualificados e dispostos a levar o Estado ao desenvolvimento e não à bancarrota, lembranças nos vem à mente. E de repente nomes qualificados cuja presença na cena política ainda hoje nos engrandece, vem à tona: RAYMUNDO DE OLIVEIRA. Quem é Raymundo? Engenheiro eletricista formado pela UFF (Universidade Federal Fluminense) fez mestrado em Ciência de Computação e doutorado em Engenharia de produção pela COPPE/UFRJ. Sua primeira eleição para deputado do Estadual do Rio de Janeiro foi em 1978, para a legislatura 1979/1983. Foi eleito pelo PMDB e isso se deu ainda, no período final da ditadura. Nessa oportunidade obteve 60.506 votos. Sua atuação na ALERJ marca não só o fechamento da última década do regime autoritário como o início de uma nova era nos anos 80 onde a liberdade finalmente ganhava força e muitas outras transformações ocorreriam como a legislatura inaugural pós fusão RJ/Guanabara. Pode-se dizer que Raymundo tenha sido um dos melhores quadros da ALERJ. Levou para a política todo um conhecimento técnico capaz de reverter as mazelas do Estado do Rio em soluções de alta performance. Não foi por acaso que ficou especialmente conhecido pela defesa da engenharia nacional, da industrialização brasileira e das empresas estratégicas estatais. Foi grande crítico à desindustrialização e ao desmonte do setor produtivo e algum tempo depois tornou-se grande referência no Clube de Engenharia o qual presidiu por dois mandatos. Com seu perfil desenvolvimentista ganhou grande projeção no debate sobre Soberania Nacional e Infraestrutura. Não é por acaso que um país como a China tem formado um milhão e meio de engenheiros por ano, enquanto os E.U.A. formam 130 mil engenheiros-ano e o Brasil 55 mil. Esses números revelam que a China transformou a Engenharia em política de Estado e, como essa massa técnica é usada para sustentar a indústria pesada, a infraestrutura, a tecnologia avançada, energia e defesa. Os E.U.A. formam menos engenheiros, mas concentram excelência em ponta. Interessante é que eles dependem de 60% dos PhDs em engenharia. E vai daí que atraem estrangeiros que abandonam seus países de origem muitos até do Brasil à procura de melhores condições de trabalho no estrangeiro. RAYMUNDO DE OLIVEIRA nunca pertenceu à linhagem de quadros públicos que tratavam mandatos como carreira, e sim, como missão de Estado. Ele é daqueles que sabem construir antes de prometer. Num Estado acostumado há décadas ao improviso, aos escândalos e ao curto prazismo, recordá-lo é lembrar de um tempo em que a política ainda abria espaço para quadros técnicos, homens de Estado e projetos de desenvolvimento. Ele é de uma geração rara que ocupava o mandato para planejar o futuro e não para administrar ruínas!
