O Programa Falou e Disse recebe Gabriel Cavalcante.
Muitos se julgam donos do Mundo e do Planeta Terra e hoje vamos trazer esse tema à baila e discutir com nosso convidado baiano GABRIEL CAVALCANTE, quem tem essa prerrogativa no planeta Terra. Gabriel é advogado formado na Universidade Estadual de Feira de Santana- Bahia com mestrado em Sociologia e Direito na UFF Niterói -E.RJ e importante: Pesquisador na área de Direito Mineral tendo como perspectiva analisar de qual forma se reproduzem os oligopólios globais na produção de petróleo e mineração. Então, ele é a pessoa ideal prá gente começar a aprofundar questões básicas sobre Soberania, sistemas néo liberais = econômico-financeiro. Desde a crise de 2008 o Mundo se deu conta de que o sistema financeiro tinha um poder praticamente invisível em manipular o planeta a seu bel prazer e levar suas economias à bancarrota como num passe de mágica. Esse momento pode ser classificado como um divisor de águas, mas, infelizmente o comum dos mortais ainda não se debruçou em seu estudo mais profundo, visando prevenir seus efeitos maléficos e deletérios provocados de forma arrasadora de tempos em tempos. Claro, que de forma superficial temos a noção de que o dinheiro é a mola do mundo e que o poder de mando advém da sua posse. No entanto, o que mudou tanto desde o início desse século? Penso ter sido a passagem do real para o virtual. A palavra já nos remete a uma falsa ideia. Como assim? É isso mesmo, virtual vem de virtude, ou seja, de algo bom, puro, sem mácula. Então, uma moeda virtual seria comparativamente algo que por não ter materialidade manteria sua pureza, e estaria longe de qualquer tipo de corrupção, engodo, enganação, falcatrua, subversão da ordem e muitos e muitos outros termos pejorativos. Ah, esse nome é mero acaso, que mania de procurar chifre na cabeça de cavalo. É virtual porque não tem materialidade. E ponto. Simples assim! Mas, exatamente aí, é que mora o perigo. Basta um clic para vc transferir bilhões ou trilhões de dólares de um local para o outro lado do planeta. Onde estão as notas, as moedas, o ouro ou qualquer coisa que se possa ver, palpar ou contar? Isso é coisa de antigamente, morreu no passado. Bom, e as pessoas que manipulam essa estratégia “virtual”? serão virtuosos? É agora entrei no ponto que eu queria. Se o dinheiro apesar de ser caro não tem mais cara, a sua posse também vai estar nas mãos de uns caras que ninguém conhece nem de nome, muito menos pela cara. Ou por outra, pode até já ter ouvido falar, mas, nem guardou o nome. O famoso Bill Gates já era! E o Elon Musk, Larry Page, Jeff Bezos, Swegey ainda em alta pela popularidade da Tesla, do Google, do Amazon etc, mas, já estão percebendo suas fortunas encolherem.
E eis que de repente enquanto o mundo assistia a quebra de bancos, empresas e famílias, algumas Instituições sobreviveram e passaram a organizar o caos. Vou citar uma delas chamada Black Rock. Qual a chave mágica dessa empresa? Atuava como um Banco? Tinha muito dinheiro para investir? Nada disso. Seu segredo era saber administrar o dinheiro digital que circulava em sistemas financeiros, ou seja, em fundos; ações; títulos; derivativos. Ou seja, ela não produzia bens, mas controlava fluxos de capital. Enquanto o mundo quebrava a Black Rock crescia administrando o dinheiro de quem ainda tinha. E no caos virou gestora do próprio sistema e decidindo o caminho que o dinheiro deveria seguir. Virou acionista de tudo “sem parecer dona de nada”. Quem controla fluxos passa a ter um poder de decisão sobre quem vai receber investimento, quais as empresas irão crescer e quais irão encolher. Nesse arcabouço talvez o “abre-te Sézamo” tenha sido os fundos passivos os chamados ETFs (Exchange Traded Fund) Compreendê-los é fundamental para resolver o enigma. Seria como uma “cesta pronta” de investimento que você compra de uma só vez. Vamos imaginar um pool de Empresas que tenha nome no mercado: Petrobrás, Vale, Apple, Itaú etc. No tal pacote elas estarão lá, todas reunidas de uma só vez. Esse Fundo é negociado na Bolsa de Valores como se fosse uma ação de uma só Empresa. E por que fizeram sucesso? Pela simplicidade e facilidade de compra e, a meu ver por reunir tantas empresas conhecidas, no mesmo pacote. Claro que isto traz uma sensação de responsabilidade e segurança. Vamos ver o outro lado da mesma moeda. Já mencionamos a sensação do comprador de menor risco, isso em tese, e onde entra o poder da Black Rock? Olha o ponto nevrálgico da questão: Quando milhões de pessoas investem em ETFs o dinheiro entra nesses fundos e os fundos compram ações das empresas e esses gestores viram aos poucos acionistas gigantes. A Black como gestora passa a ter participação em milhares de Empresas ao mesmo tempo, e o melhor, não aparecem como “dona direta” e que não são, na realidade. Você só preparou um pacote onde alguém vai comprar ações da Vale da qual você é acionista como qualquer mortal, mas, pouco a pouco sua influência na Empresa vai aumentado através desse trabalho de intermediário. Está claro? Por sua vez a Black Rock não está sozinha em toda essa articulação. Ela se uniu a duas outras Empresas e juntas constituem uma tríade cada vez mais ativa e poderosa. São elas a “State Street” e a “Vanguard”. Um pequeno investidor acha que está apenas aplicando, mas somado aos milhões, está alimentando um mecanismo que concentra poder nas mãos de poucos gestores globais. Larry Fink é o CEO da Black Rock mas, até hoje pouco conhecido. Sabe-se que a Empresa recentemente transferiu U$2, 1 trilhões dos EEUU. Inegavelmente a tríade também conhecida como Big Three é hoje a maior gestora de ativos do Mundo com um patrimônio de 12 trilhões de ativos e controlando mais de 20% do Mercado Acionário dos EE UU. É acionista relevante da maioria das grandes corporações. Um dos segredos públicos da Big Three é “quase” prever o imprevisível e isso através de um sistema tecnológico muito avançado que reduz incertezas e reage mais rápido que os outros. Seu segredo chama-se ALADDIN – Um cérebro digital que acompanha trilhões de dólares em tempo real e que, portanto, consegue reunir dados do mundo inteiro, modelos matemáticos, cenários de riscos e informações de mercados, empresas e governos. Vamos nos imaginar em frente a um painel imenso observando concomitantemente juros, inflação, bolsa, petróleo, moedas, guerras, crises, decisões políticas e ainda vendo as simulações todo o tempo, tipo: E se o dólar subir? E se a China desacelerar? E se o Banco X quebrar? E, ao mesmo tempo fazendo cálculo de risco para cada investimento o quanto pode ganhar ou perder e qual o perigo ou perigos escondidos. E com essas bases de cálculo sugere ajustes seja de compra, de venda, redução de exposição ou de mudança de estratégia. Não chega a prever o futuro, mas quase, pois antecipa cenários possíveis e prepara respostas antes que aconteçam. Não chega a ser uma bola de Cristal, mas, é um sistema que testa milhões de possibilidades por segundo, para não ser pego de surpresa. Na crise de 2008 o Aladdin já existia, mas um tanto embrionário sem a capacidade atual. Mesmo assim a Black Rock foi chamada na crise pelo FED o Banco Central Americano para várias funções tais como análise de carteiras podres, risco de colapso, precificar ativos complexos etc. O sistema, entretanto, não previu a crise, os modelos subestimaram os riscos e o salto de qualidade só chegou depois de 2008. O sistema ajudou a navegar no mar turbulento e isso bastou para que a tríade se transformasse em peça -chave do sistema. Outro tema que o poder da Black Rock pode exercer se refere ao domínio dos minerais raros do Planeta incluindo inclusive o Brasil, nesse momento sob ameaça de perda de Soberania sobre suas jazidas. Mesmo sem alvoroço e não querendo aparecer na mídia, nas redes, a Black Rock como todo o poder tem contradições. Teoricamente defende o planeta contra os perigos que corre e ameaça Empresas que não estejam dispostas a fazer o chamado “dever de casa “para evitar os terrores do aquecimento global. Mas, muitos já denunciaram que parte das ações anunciadas, não são realizadas, principalmente se isso significar perdas financeiras às suas Empresas.
Niterói, 25 de abril de 2026.
Helena Reis
Acabei de assinar um manifesto em apoio à criação da Terrabras – Empresa Estatal de Terras Raras. Assine você também:
https://mautic.revistaforum.com.br/abaixo-assinado/terrabras
