O Programa Falou e Disse recebe Filipe Guimarães Teixeira.
O QUE É A PERÍCIA CRIMINAL E COMO ELA ATUA NOS ÓRGÃOS PÚBLICOS
A perícia criminal é uma profissão multidisciplinar e em diferentes áreas do conhecimento que vai da Biomédica à Farmácia e Agronomia; da Engenharia à Economia, Contabilidade e Química e, o que mais for preciso conhecer para chegar a desvendar crimes de várias naturezas e, daí porque existem três classificações básicas que são: o perito legista, o criminal e o papiloscopista. O 1º tem a ver com o exame do corpo humano, verificando lesões e as causas da morte. Ele também é chamado de médico legista, pois seu trabalho estabelece uma relação entre medicina e direito Entre suas funções consta: realizar necropsias, determinar causas e horário da morte, produzir laudos sobre lesões corporais, avaliar o tipo de violência sofrido pela vítima inclusive de origem sexual etc. Por tudo isso seu instrumento principal é o conhecimento médico; O 2º investiga os vestígios materiais de crimes ou os vestígios físicos deixados por um delito. Várias são as suas áreas desde a química, genética e contabilidade forense, passando por balística, engenharia legal etc. Ele responde perguntas que mais nos interessam assim como: – Houve fraudes? – Existem indícios de corrupção em contratos públicos? – Houve adulteração de documentos? – O incêndio foi criminoso etc, e o 3º chamado de Papiloscopista é especialista em verificar as impressões digitais, palmares e plantares necessários para a emissão de laudos de identidade ou identificação de cadáveres etc. Em resumo o perito criminal interpreta os vestígios do crime, o médico legista interpretar os sinais deixados no corpo humano e o papiloscopista revela a identidade escondida nas impressões digitais.
Filipe Guimarães Teixeira- Perito Criminal, trabalha na Polícia Civil e preside a Associação dos Peritos. Com esmero, preparo e competência se articula com a ALERJ visando atender às demandas internas solicitadas por Deputados sempre que possível. Como se sabe, muitas Casas Legislativas Brasil à fora apresentam com muita constância não só Irregularidades como vulnerabilidades e padrões de corrupção em nível histórico. Podemos citar um conjunto de procedimentos : 1 – Funcionários fantasmas – pessoas nomeadas em gabinetes que não exercem efetivamente suas funções, mas recebem salários públicos; 2 – Rachadinhas – Prática pela qual assessores devolvem parte dos salários ao parlamentar ou a terceiros; 3 – Nepotismo cruzado- Quando familiares de políticos são nomeados em gabinetes de outros parlamentares para contornar o impedimento; 4 – Uso político de cargos comissionados – Excesso de cargos de confiança utilizados para compor bases eleitorais ou redes de apoio político/ 5- Fraudes em licitação e contrato. Superfaturamento; direcionamento de licitações; empresas de fachada; contratos de baixa entrega efetiva de serviços; 6 – Emendas Parlamentares sem fiscalização adequada – Destinação de recursos públicos sem mecanismo robustos de acompanhamento da execução; 7 – Tráfico de Influência- Interferência indevida em nomeações, contratos, concessões e decisões administrativas; 8 – Lavagem de dinheiro – Ocultação de recursos provenientes de corrupção mediante empresas, Imóveis, terceiros ou movimentações financeiras complexas; 9 – Movimentações financeiras atípicas -Citando a ALERJ, relatórios do antigo COAF apontaram “operações” consideradas suspeitas envolvendo dezenas de servidores vinculados a gabinetes, totalizando centenas de milhões de reais em movimentação analisadas pelos órgãos de controle; 10 – Captura Institucional – É quando um grupo político domina a estrutura Administrativa e orçamentária de forma duradoura, reduzindo a transparência e os mecanismos de controle.
Temos inúmeras perguntas para o perito, para estimular nosso público aqui vão algumas:
1ª) Quais são os principais indícios técnicos de um esquema de funcionário fantasma?
2ª) Como a perícia consegue identificar uma rachadinha?
3ª) Que rastros digitais deixam os esquemas de corrupção parlamentar?
4ª) É possível detectar nepotismo cruzado por meio de análise de redes?
5ª) Quais bancos de dados deveriam ser integrados para aumentar a transparência da atividade legislativa?
Niterói, 04 de julho de 2026.
Helena Reis

