O Programa Falou e Disse recebe Luiz Carlos Delorme Prado.

QUEM MANDA NO SEU FEED: VOCÊ, O ALGORITMO OU AS GRANDES PLATAFORMAS?

Luiz Carlos Delorme Prado é professor do Instituto de Economia da UFRJ e do PPED- Programa de Pós-graduação em Políticas Públicas, Estratégias e Desenvolvimento, Pesquisador do GDEC – Grupo de Pesquisa em Direito, Economia e Concorrência, Ex-Conselheiro do CADE – Conselho Administrativo de Defesa Econômica, Ex-Presidente do COFECON- Conselho Federal de Economia, Ex-Presidente do Centro Internacional Celso Furtado de Políticas para o Desenvolvimento.

O rápido avanço das tecnologias digitais é a marca desta terceira década do século XXI. A economia digital mudou como consumimos, trabalhamos e nos informamos. Mas também concentrou poder em poucas empresas: hoje, a maioria das companhias avaliadas em mais de US$ 1 trilhão são Big Techs. Elas não são apenas empresas de tecnologia: tornaram-se a infraestrutura da economia. A Regulação das Plataformas Digitais tornou-se uma das questões mais importantes para a soberania nacional no século XXI.

No século XX, um país precisava controlar seu território, suas fronteiras e suas riquezas. No século XXI precisa também proteger seu território digital. As grandes plataformas digitais passaram a ocupar um espaço que antes pertencia, em grande parte às instituições nacionais. Elas influenciam o que vemos, o que compramos, com quem conversamos e até quais assuntos entram no debate público, ou seja, nosso pensamento é ilusório ou manipulado. Seus algoritmos funcionam como uma espécie de editor invisível: selecionam o que ganha destaque e decidem o que vai desaparece da nossa tela. Por isso, a questão da soberania aparece em vários pontos: os dados de milhões de brasileiros têm enorme valor econômico e estratégico; decisões tomadas por empresas privadas podem afetar eleições. Regular, portanto, não significa necessariamente controlar a internet. Uma boa regulação democrática vai estabelecer responsabilidades e limites: vai proteger nossos dados pessoais e também as crianças.

Atualmente somos muito vulneráveis e isso vai exige transparência sobre publicidade e algoritmos, combate à práticas ilegais, assegurar concorrência e garantir que empresas que atuam no Brasil respeitem as leis brasileiras e respondam perante as nossas instituições.