NOVO FILME DE HOLLYWOOD ANOS DEPOIS E O ROTEIRO É PRATICAMENTE O MESMO

“NOVO FILME DE HOLLYWOOD” ANOS DEPOIS E O ROTEIRO É PRATICAMENTE O MESMO

A farsa muda de figurino para esconder a tragédia. Ontem, armas de destruição em massa. Hoje perseguição às drogas. Iraque e Venezuela a mesma síndrome da perseguição ou o mesmo roteiro para a posse do petróleo. As acusações contra Maduro (narcotráfico, corrupção, terrorismo funcionam como deslegitimarão política e preparo simbólico para sanções, bloqueios e isolamento. Subliminarmente já se fala na tomada das Empresas Petrolíferas venezuelanas, mas, com uma justificativa de incapacidade de gestão e apontando a pouca exploração do combustível numa clara ingerência nos assuntos internos de um país. A política imperialista da Nação Americana é retomada com a mesma virulência de anos atrás, por exemplo com Muammar Gaddafi que governou a Líbia de 1969 a 2011. Foi um dos maiores líderes anti-imperialista, defensor do panafricanismo, do controle estatal do petróleo e de uma moeda africana lastreada em ouro. E aí há uma pista para se entender o que ocorreu depois. Ao expulsar bases militares dos EUA e do Reino Unido, nacionalizar o petróleo e usar os recursos com a sua venda, para investir não só na infraestrutura do país como melhorar os níveis de saúde, educação e moradia. A Líbia se destacou nesse período por apresentar o maior IDH da África.

A bem da verdade Gaddafi anunciou sua sentença de morte ao querer transformar a Líbia num país soberano controlando suas riquezas e para isso mexeu com a hegemonia do dólar ou por outra reduziu a dependência africana ao dólar e ao euro. Uma das formas era criar um Banco Africano independente e um Fundo Monetário Africano se desvencilhando do FMI. Durante a chamada Primavera Árabe, protestos internos foram retratados como massacres em larga escala de civis. A narrativa da época acusava Gaddafi de bombardear seu próprio povo, de cometer crimes contra a humanidade. Com base em realidades falsas a OTAN liderada por americanos bombardeou o país, capturou Gaddafi que foi linchado e executado sem julgamento.

Vamos ver o 2º exemplo o que aconteceu com o Iraque governado por Saddam Hussein entre 1979 e 2003. Assim como a Líbia não era uma democracia liberal como o Ocidente gosta de apregoar, mas, o Estado ao contrário de outros países árabes era laico, havia uma forte presença estatal na economia, seu petróleo era nacionalizado, e a Educação e saúde pública bastante estruturadas. Aliás, muito parecido e próximo à Líbia. E por que não mais que de repente também virou alvo? A premissa básica é que Saddam não era um governante que se curvasse à Washington ou seja era um país soberano e, coincidência? uma das maiores reservas do mundo em petróleo! Só não descobre quem não quer. Já no início do novo século 2000, o Iraque começou a vender petróleo não em dólares de acordo com o estabelecido pela Arábia Saudita, mas, em euros. E aí, de acordo com o contexto da época quando ocorreu o ataque às Torres Gêmeas no 11 de setembro, a narrativa escolhida para ceifar Saddam foi a afirmativa que seja dito de passagem, jamais provada, que o Iraque possuía “armas de destruição em massa”. A própria inteligência americana admitiu anos depois que as provas eram falsas. Assim ocorreu a invasão do Iraque e tudo o mais, sobejamente noticiado e relatado. A importância desse fato é que ele inaugura um novo modelo. Qual é ele ? MENTIRA como PROTESTO ou CORTINA DE FUMAÇA para intervenção militar, colapso do Estado, saque dos recursos, apropriação do petróleo e caos duradouro. O Iraque nunca mais se recompôs, mesmo depois da partida dos americanos. Lá ocorreu a explosão do sectarismo religioso entre sunitas e xiitas, surgimento de milícias armadas, milhões de mortos, caos total.

Esses são apenas 2 exemplos de como o Império utiliza todo tipo de táticas e estratégias para exercer seu domínio no planeta. O acontecimento ocorrido agora na Venezuela em que no apagar das luzes conseguem sequestrar o próprio Presidente e sua esposa de um país também rico em petróleo. Entretanto, o fato provocou grande perplexidade no mundo inteiro, talvez por suas circunstâncias pouco esperadas. Entretanto, uma nova análise muito bem fundamentada e escrita por CÉSAR FONSECA, e encaminhada pelo nosso próprio entrevistado BETO ALMEIDA apresentamos aos nossos ouvintes e telespectadores e a partir dessa leitura acreditamos que tudo ficará bem mais claro.

Niterói, 4 de janeiro de 2026

Helena Reis

 

TRUMP RESSUSCITA PETRODÓLAR AO COLONIZAR VENEZUELA – CÉSAR FONSECA

O objetivo central do presidente Donald Trump de prender o presidente Nicolás Maduro e dizer que governará a Venezuela para dominar seu petróleo é garantir a ressurreição do petrodólar para dar lastro ao dólar americano, ameaçado pela desdolarização.

Durante 50 anos, de 1974 a 2024, Estados Unidos e Arábia Saudita, firmaram o Acordo de Jeddah, por meio do qual o dólar poderia pagar as compras de petróleo árabe com moeda americana; era a fórmula que Washington colocava em prática, depois que o governo Nixon, em 1971, suspendeu a conversibilidade do dólar em ouro, inaugurando a era da moeda fiduciária; porém, a expansão da moeda sem lastro real se transformou em risco que o futuro consagraria em bolhas financeiras especulativas; com o petrodólar substituindo o ouro, a partir do Acordo de Jeddah, o imperialismo americano ganhava fôlego.

Os árabes, com receita do petrodólar, puderam comprar títulos da dívida pública americana, livre, temporariamente, do perigo da falta de lastro que ocorreu, depois do fim do lastro-ouro, substituído pela moeda fiduciária, moeda-papel, candidata à desvalorização; graças a essa transação, os Estados Unidos puderam construir a hegemonia monetária internacional; todos os países produtores de petróleo seguiram o exemplo, vendendo o produto em petrodólar, que, por sua vez, compra dívida pública dos Estados Unidos, assegurando a hegemonia imperialista.

O acordo EUA-Arábia Saudita, que ergueu o petrodólar, encerrou, no entanto, em 9 de junho de 2024; desde então, o dólar, já abalado pelo colapso financeiro de 2008(crise bancária, quebra do Lehman Brother etc.) está sem lastro real, sujeitando-se à desdolarização, em ritmo cada vez mais acelerado, especialmente, porque Arábia Saudita passou a negociar com a China não mais com petrodólar, mas com petro-yuan, petróleo por moeda chinesa.

 

PETROYUAN NO PÓS-GUERRA DA UCRÂNIA

O volume crescente das trocas comerciais entre os dois países(China-Arábia Saudita), ao largo do dólar, ampliou-se, ainda mais, depois de 2022, quando a Rússia ocupou a Ucrânia, em resposta à agressão da Otan, armada pelos Estados Unidos, para invadir território russo pela via territorial ucraniana; diante das sanções comerciais americanas contra a Rússia, os russos intensificaram acordos comerciais e militares com China e passaram, ambos, China-Rússia, a negociar, também, em moeda locais; na sequência, a Índia, importadora de petróleo russo, passou a negociar com a Rússia mediante troca de moedas, rublo-rúpia; disseminou-se, nesse espaço euroasiático(tripé comercial China-Rússia-Índia), trocas comerciais em moedas locais; logo, já no final de 2025, completou-se o circuito Rússia-China-Índia-Irã-Arábia Saudita-BRICS, como novo espaço global comercial, no qual vem-se consolidando novo sistema monetário ao largo da moeda americana.

Atualmente, perto de 45% das trocas comerciais petrolíferas, segundo a Associação dos Engenheiros da Petrobrás(https://aepet.org.br/artigo/o-fim-do-petrodolar), são feitas em moedas locais, configurando-se novo espaço monetário determinado pelo petroyuan e não mais pelo petrodólar, encerrado em junho de 2024; os Estados Unidos, sem moeda lastreada em ativo real, com dívida pública próxima de 40 trilhões de dólares, estão, no cenário da desdolarização crescente, diante do colapso capitalista, aprofundado pela financeirização fictícia, potencializada pela especulação impulsionada pelas empresas de Inteligência Artificial.

 

VENEZUELA, NOVO AVALISTA DO DÓLAR

Restou aos americanos, apelar para o domínio total do seu quintal, a América Latina, com a Doutrina Monroe, fortalecida pelo corolário Trump; a estratégia geopolítica de Washington, capaz de garantir o dólar passa a ser o petróleo latino-americano; Venezuela, detentora das maiores reservas de petróleo do mundo, estimadas em 3,2 trilhões de barris, vira o alvo principal de Trump.

Antes de tomar posse, na Casa Branca, no final de 2024, ele reuniu-se em Mar a Lago com 20 corporações de petróleo e prometeu para elas o mundo (isenções fiscais, perdão de dívidas, redução de impostos etc.): furar poço de óleo em toda a superfície terrestre, para garantir industrialização americana, derrotada pelo aumento da produtividade exponencial chinesa, determinada pela política monetária de Pequim, descolada do modelo neoliberal determinado por Washington.

A prisão do presidente Nicolás Maduro, neste sábado, 03.01.2026, sob falso pretexto de combate ao narcoterrorismo, e a promessa trumpista de governar a Venezuela, portanto, é a tentativa do império americano de ressuscitar o petrodólar, com lastro no petróleo venezuelano, para evitar bancarrota do dólar nas bolsas internacionais, abaladas pela dívida pública americana, bancada por moeda americana sem lastro, afetada pela perda de concorrência comercial com a China.

Trump, se tomar conta do petróleo venezuelano – o que vai demandar guerra –, como prometeu em entrevista coletiva, logo depois de prender Maduro, para ser julgado nos Estados Unidos, vai, certamente, desligar a Venezuela da OPEP e cortar, gradativamente, exportações do petróleo venezuelano para a China; ele vai depender, para exploração em grande escala do petróleo da bacia do Orinoco, de importação em massa de nafta russa, a fim de afinar o óleo extraído de lá, considerado muito grosso e denso, o que demandará negociações com a Rússia.

 

BRASIL NO OLHO DO FURACÃO

O cenário que se descortina, nos próximos tempos, portanto, de os Estados Unidos dominarem, política, econômica e militarmente a Venezuela, na base do cacete, é dificultar a venda do petróleo venezuelano para os chineses, seus maiores concorrentes contra os quais utilizaram a arma da chantagem; nesse novo contexto internacional, o Brasil enfrentará dificuldades crescentes para negociar com a China matérias primas(alimentos e minérios), porque o que Trump tende a fazer com o petróleo venezuelano, fará o mesmo com o petróleo extraído pela Petrobrás; dominada pelos grandes grupos financeiros, coordenados pelo Black Rock, sujeito às ordens de Wall Street, desde o golpe neoliberal que derrubou a ex-presidenta Dilma Rousseff, em 2016, a Petrobrás, esquartejada pelos acionistas minoritários que dominam seu conselho de administração, terá que se enquadrar na nova lógica de Washington em ascensão, determinada pelo Doutrina Monroe trumpista; a pressão para o Brasil descolar do BRICS, no qual a influência chinesa tem sido determinante, acompanhará essa nova lógica washingtoniana; caso contrário a química Trump-Lula vai azedar, colocando em risco a pretensão lulista de alcançar o quarto mandato.