O Programa Falou e Disse recebe Antonio Oscar.
Monitorar resíduos sólidos significa acompanhar todo o caminho do lixo, desde onde ele é gerado até o destino final. E isso inclui múltiplas variáveis começando pelo tipo, quantidade, e local, até a forma de coleta com seus impactos ambientais, o transporte dos materiais e a sua reciclagem. Esse rastreio pode ter o valor de uma mercadoria como no caso da construção de uma estrada que gera saibro, areia, argila etc. Importantes materiais utilizados pela engenharia para a construção civil de Imóveis sejam casas ou prédios ou na própria engenharia rodoviária que usa o chamado solo de empréstimo para fazer aterros, terraplenagens, nivelamentos vários etc. Entretanto, se começamos pelo lixo vantajoso, não podemos nos esquecer do sentido pejorativo da palavra. Nesse caso a ênfase recai para o drama existencial vivido pela humanidade de hoje. Pode-se afirmar que o lixo seja um raio-X da nossa atual sociedade. O que fazer com o lixo dos aterros sanitários, os resíduos hospitalares e eletrônicos ou atômicos? Se quisermos apostar no avanço do conhecimento e da criatividade humana temos de reforçar a possibilidade de reverter o tremendo processo negativo transformando-o em ganho social. E por isso temos de aplaudir e incentivar pessoas como Antônio Oscar. Vamos então divulgar as várias soluções encontradas em muitos países e até no Brasil. Esse “até”, não deixa de ser um pouco pejorativo, mas, tem por base a crítica que eu faço pela grande involução que tem ocorrido no nosso país, principalmente duas décadas pós-implantação do sistema neoliberal. Bom, é realmente aterrador não saber o que fazer com o lixo dos aterros sanitários principalmente destacando itens como o plástico, o vidro, os metais e o entulho de modo geral. Além disso temos de destacar o Chorume que é um líquido tóxico e o gás metano que irá inexoravelmente contaminar o solo e o sistema subterrâneo das águas. Bom, pode-se apontar as soluções modernas para os aterros como a captura do gás metano a ser transformado em energia elétrica. E quanto aos itens citados acima, o que parece correto, responde pelo nome de RECICLAGEM. O grande erro de muitas cidades é querer enterrar material que vale dinheiro. Portanto a reciclagem além de ambiental, ecológica é também política e econômica, enfim nos lixões o que se deve fazer antes de tudo, é a seleção do lixo. Separar o lixo orgânico por exemplo e com ele fazer a chamada compostagem. Metade do lixo de modo geral ou seja 50% é orgânico e, depois de preparado vai virar adubo ou fertilizantes. Enquanto isso o plástico, vidro, metal e papel vai voltar para a indústria e gerar renda e emprego. A incineração com geração de energia é muito usada tanto na Europa, quanto no Japão e, além de produzir energia reduz muito o volume de lixo.
Para concluir vamos ver o que se deve fazer com os resíduos hospitalares que é um lixo perigoso e contaminante como o sangue, seringas, agulhas, medicamentos, produtos químicos, material infectado, radioisótopos médicos etc., bem como o lixo eletrônico. No 1º caso o destino correto é a incineração especial, ou seja, uma queima em altas temperaturas qual seja de mais de 1000 graus capaz de eliminar vírus, bactérias, toxinas etc., além da esterilização com vapor sob pressão denominada Autoclave. Quanto ao lixo eletrônico considerado um grandíssimo problema do século atual com computadores, celulares, tvs, geladeiras, baterias, cabos, placas eletrônicas, painéis solares, carros elétricos (baterias) etc. Todo esse aglomerado contém minerais de todo tipo: ouro, prata, cobre lítio, cobalto, terras raras, mercúrio, cádmo, chumbo. Ou seja, é uma grande mina urbana. E o que fazer? Em primeiro lugar uma reciclagem eletrônica com desmontagem e recuperação dos metais. Já existe inclusive um nome moderno para esta recuperação o de “Mineração Urbana”.
Por último, por ser o mais problemático e angustiante estão os resíduos atômicos nucleares que envolve não só as usinas nucleares como a medicina nuclear, a pesquisa científica, os submarinos nucleares, assim como as temíveis armas nucleares. Alguns desses resíduos permanecem radioativos por 10 a 100.000 anos, ou seja, é mais do que um problema ambiental é um suicídio civilizatório.
As soluções talvez precárias passam pelo armazenamento em contêineres de concreto e aço, chamado de armazenamento seco e enterrados em rochas, minas profundas, desertos, montanhas, formações graníticas etc.
Concluindo quero dizer que: “A civilização moderna não será julgada pelo que produziu, mas pelo lixo que deixou “ou“ diga-me como uma sociedade trata seu lixo e eu direi o seu grau de civilização”. Hoje o lixo movimenta bilhões e virou um setor estratégico.
Outra questão que eu gostaria de mencionar são os problemas dos Oceanos provocados pelo lixo. Cerca de 80% do lixo marinho é plástico como garrafas, sacolas, redes de pesca. embalagens, tampas etc. A pior coisa é que são ingeridos pelos peixes e às vezes voltam para os pratos dos seres humanos. O tema é vasto e merece um capítulo à parte.
Niterói, 7 de abril de 2026.
Helena Reis
